


Encontramos o Beto no meio do gramado, provavelmente caiu do ninho. Rosi adotou o passarinho, os meninos lhe deram o nome e cuidaram dele por um dia inteirinho. Mas Beto estava frágil demais, não resistiu e se foi durante a madrugada.
No dia seguinte, Antônio perguntou pelo novo amigo.
- Cadê o Beto?
Rosi se adiantou e, esperta que só, respondeu:
- A mãezinha dele veio buscar. Levou o Beto de volta pra casinha dele.
- Não, Rosi, o Beto morreu! – Oscarzinho mais esperto do que todo mundo junto já tinha sacado o que que realmente tinha acontecido.
Ficamos em silêncio. Sem saber o quê e como falar, deixei o assunto morte para outra hora.
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Naquela tarde, no carro, o assunto surgiu novamente.
Papo vai, papo vem, resolvi perguntar:
- Vocês sabem o que é morrer?
- Sei! É quando a gente vai morar no céu! – Joaquim apontou para o cima.
- Não é não! É quando a gente vai morar no cemitério! – Oscar deu a versão dele.
- Nããããooo! A gente morre quando vira fantasma!!!
- Fantasma? – tive que perguntar – Antônio, quem te falou isso?
- Mãe, o Leão-papai, quando morre vira fantasma, não é? – Antônio se explicou, referindo-se ao Rei Leão, Mufasa.
Na mesma hora, sem saber por onde começar, mudei de assunto:
- Vamos ver os búfalos?
Christiana Strauss, psicóloga clínica e professora universitária, mãe dos trigêmeos.
Oscar, Antônio e Joaquim
nascidos em 20 de julho de 2008