Três Mosqueteiros
Minha Vida com os TrigêmeosArquivo de Meninos X Meninas
Homens na cozinha
Vou pular a parte do blábláblá onde eu deveria pedir desculpas pelo atraso nas postagens e vou direto ao ponto em que paramos – o misterioso presente do Dia das Crianças.
Porém, antes de dizer o que é, preciso dizer que eles amaram, não desgrudaram dos mimos e até levaram para a escola na sexta (toda sexta é dia de levar brinquedos). Será que isso ameniza o choque de saber o que essa mãe psicóloga doida deu de presente para os seus meninos? Não importa. Deu tudo certo. Eles adoraram, maridinho odiou, tudo como previsto.
Joaquim ganhou um microondas, Antônio uma batedeira e Oscarzinho um liquidificador. Os eletrodomésticos são uma graça, do tamanico deles e funciona quase de verdade. Sucesso total com o trio! No final, não foi diferente do que acontece sempre com outras coisas e acabou tudo sendo de todo mundo.
Sempre soube que eles gostavam de brincar de cozinha, panelinhas e etc. Na casa da vovó, se esbaldam com as peças da prima Letícia; na escola também brincam muito com fogões, panelas e afins. Então, não resisti quando vi as maquininhas em promoção.
O pequeno mas importante detalhe é que é tudo pink. Na internet a gente acha de outras cores, mas lá na loja, no momento do meu impulso, só tinha pink. Falha grave, gravíssima!, da indústria de brinquedos, não acham? Ou será que a falha é da minha cabeça? Ou será que deveríamos pensar “tudo bem, menino até pode brincar de cozinha, mas não de cozinha pink!”. Ora bolas, se meninas e meninos podem brincar de cozinha, por que só existem panelinhas pink nesse mundo? Será que estou sendo careta ao dar tanta importância para o pink? Contraditória em minha posição? Pode até ser, mas acho que foi isso que fez papai Caco odiar o presente e ainda dar margem a variadas interpretações:
- Olha, eu sei que quando a gente é mãe a gente vira criança de novo, mas você tem que tomar cuidado para não querer realizar com os filhos o que não realizou na sua infância… – Ah, fala sério! Preciso mesmo ouvir isso?
- Tadinha, está com saudade da Letícia que fica naquela lonjura da Bahia… – Com essa aí até concordo. Morro de saudade mesmo.
Mas a melhor, foi a do Caco:
- Pô, se você quer uma menina, fala. Não precisa fazer isso… Você quer uma menina?
Nem preciso dizer que esse comentário esteve comigo durante dias e dias, mas há muito (desde o ultrassom mostrando três machinhos na minha barriga) tenho trabalhado isso e a questão está super bem resolvida.
Deixo a continuação do post para depois… suspense…
Gigantes


Genial! Adoro propagandas assim. Perturbam nossa percepção e nos trocam de lugar.
Lembrei que ainda não tinha registrado aqui no blog essa nova fase dos meninos. Outro dia vovô Oscar deu desses carrinhos para eles e nos surpreendemos.
Caminho sem volta, passagem só de ida, pague para entrar e reze para sair, qualquer coisa do tipo – Eles amaram! O problema é que como todas as outras crianças, eles não se contentam com um só.
É. Ser mãe de meninos é encontrar carrinhos espalhados pela casa.
Filhinhos na caixa de sapato

- Antônio, o que você está fazendo?
- Meus filhinhos vão dormir.
- Mas, filho, você rasgou a revistinha?
- Tá frio, mamãe. É o cobertor, ó.
E aí, beijo ou brigo?
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Desde que ganharam esses bonequinhos, Antônio não os larga de jeito nenhum. Até os irmãos já se conformaram de que são filhos do Antônio.
Ele os chama de “Meus filhinhos”. Mônica, Cascão, Cebolinha e Magali estão sempre juntos e são tratados com todo amor e carinho por seu pai/mãe, que dá mamadeira, atenção e proteção para eles. Antônio não faz distinção entre seus filhinhos e repete para eles frases frequentes aqui em casa. Aliás, onde será que ele aprendeu a juntar os filhinhos embaixo de um único cobertor? Heim???
Antônio afaga seus filhos e Deus nos afaga, mostrando que estamos no caminho certo, que estamos conseguindo passar para o trio nossos valores e princípios. Não dá nem pra descrever uma coisa dessas. É mágico.
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A propósito, não o repreendi pelo gibi rasgado, mas separei um paninho para servir de cobertor para os filhinhos do Antônio.
3 Meninos e 3 Meninas
Quando chegamos na UTI ficamos sabendo que no dia anterior também tinham nascido 3 meninas gemelares. Há três anos não nasciam trigêmeos no hospital e num só dia nasceram 3 meninos e 3 meninas. As meninas também nasceram com 32 semanas. Lotamos a UTI! Logo ficamos amigos dos pais das meninas e ficávamos trocando idéias com eles. Brincávamos dizendo que os bebês já iam sair do hospital como namorados pois ficavam se paquerando através das incubadoras vizinhas. Fizemos muitas amizades no hospital. Guardaremos na memória cada uma das pessoas que cuidaram dos bebês, cada médico, cada enfermeira, cada mãe e cada pai que estavam passando pelo mesmo que a gente. A propósito, aproveito para registrar aqui o quanto essas pessoas são especiais e dizer que elas ficarão para sempre em nossos corações.
Antônio, Oscar e Joaquim nasceram com 1815, 1790 e 1530kg, respectivamente. Antônio ficou 3 dias na UTI, Oscar uma semana e Joaquim 20 dias. Podíamos visitá-los duas vezes ao dia. Durante as visitas, a gente fazia carinho e conversava com eles. Após o tempo na UTI, eles ficaram no berçário para ganhar peso. Eles perderam peso nos primeiros dias, como é normal com recém nascidos, mas recuperaram logo. No berçário, eu podia ficar o dia inteiro com eles. Lá aprendi com as enfermeiras a dar banho, trocar fraldas, etc. Os meninos eram alimentados por sonda e eu tirava o meu leite para eles. Ao atingirem determinado peso, a sonda foi passada para o nariz para que pudesse amamentá-los e assim estimular a sucção deles. Chorei que nem uma boba quando cada um deles pegou o peito pela primeira vez. Me falaram que eles não teriam força para sugar, mas eles se mostraram ótimos nisso.
Na foto, Antônio e Oscar ainda no berçário, no dia dos pais, o primeiro do papai Caco.
Meninos ou meninas?
A descoberta dos sexos dos bebês foi difícil. Foram necessárias três ultra-sonografias para termos certeza. No primeiro exame eram dois meninos e uma menina. No segundo eram dois meninos e não deu pra ver o outro. Só no terceiro exame vimos que eram três hominhos.
No início fiquei assustada, triste por não ter uma menininha. Mas o Caco e minha mãe logo me fizeram mudar de idéia. “Será muito mais prático”. “Menino é mais da mãe, é mais carinhoso”. Não posso negar que fiquei ainda mais feliz quando vi a felicidade do Caco.
Ôbaaaaaa!!!! Teremos três moleques, três machinhos!


Christiana Strauss, psicóloga clínica e professora universitária, mãe dos trigêmeos.
Oscar, Antônio e Joaquim
nascidos em 20 de julho de 2008