Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Boa notícia lá e insight cá

Eu disse que desenvolveria melhor o assunto do último post. E agorinha mesmo apareceu uma boa oportunidade de tocar no assunto de novo!

Hoje me deparei com a boa notícia sobre a vontade da Camila voltar a trabalhar. Deixei um comentário lá, mas bateu vontade de falar sobre isso por aqui também. Segue o trecho do comentário:

Adorei Camila! Tanto o post como a decisão estão super acertados!…

Voltei a trabalhar quando meus trigêmeos estavam com quatro meses. Voltei primeiro para o consultório, assim como você está pensando em fazer. E deu super certo. Logo depois voltei a lecionar em duas universidades, de manhã e de noite. Pode parecer loucura e algumas pessoas que não convivem comigo pensam que eu tenho uma rotina louca e vivo no caos. Ou pior, pensam que meus filhos não têm mãe! Mas não é nada disso. Dá muito bem para viver os dois mundos. A culpa sempre vai existir, o importante é saber lidar com ela. Clichê? Não importa. É fato, pronto e ponto.

Ontem mesmo conversei com uma aluna sobre ser mãe e psicóloga. Me peguei falando a seguinte frase “Ser mãe tem me ajudado a ser uma psicóloga mais completa mais do que ser psicóloga tem me ajudado a ser mãe.”…

Já expus minha posição em relação a trabalho e maternidade aqui no blog várias vezes e quem se interessar pode procurar pelo assunto “Mãe que trabalha” ou clicar aqui. O fato é que nessa loucura toda, tenho pensado muito nisso, tenho constantemente me perguntado o quanto compensa ou até mesmo se vale a pena dividir o tempo dedicado às crianças com o trabalho fora de casa. Eis minha conclusão, ou melhor, parte dela:

Ser mãe nos engrandece, nos fortalece e favorece nossa adaptação ao ambiente em que vivemos. Como eterna neurocientista antenada sei que nosso cérebro até cresce após a maternidade (aqui e aqui). Tudo por conta de novas conexões, novos circuitos, resultado de muito aprendizado. Pra quê? Talvez para algo mais além de proteger e alimentar a prole… quem sabe para uma evolução pessoal, coletiva ou até mesmo espiritual? Pra mim, tudo isso parece fazer muito sentido.

Nada contra a monotematicidade das mamães – que só sabem ou só querem falar sobre os filhos – mas cá pra nós… se queremos um mundo melhor para os nossos filhos, temos que fazer parte dele, temos que tentar melhorá-lo!  Não basta ficar dentro de casa enchendo o rebento de amor, afeto, atenção e tudo o mais enquanto o mundo lá fora pega fogo. É preciso fazer as duas coisas! Garantir a sobrevivência da espécie também é cuidar do mundo lá fora! Não acho que meus filhos serão prejudicados pelo meu trabalho. Não mesmo! Pelo contrário! Então, apóio e defendo mães que, por necessidade ou por opção, trabalham ou têm uma atividade extrafilho.

E olha que bacana, quem acha que tem um trabalho chato, sem sentido, que só tem como retorno o salário do fim do mês – e que por isso pesa no momento de deixar os filhos em casa – pode aproveitar esse momento “mãe” para repensar sobre a ocupação e sobre em que realmente gostaria de trabalhar.

Conhecem o fenômeno wahms ou mompreneurs?

Lembrei disso ao ler a coluna do Alexandre Hohagen na Folha de São Paulo hoje cedo (Mudanças sem razão). Ele falava sobre mudanças, dizia que aderimos a mudanças mais por motivos emocionais do que racionais. Acho que se maternidade aparece como um momento perfeito para mudarmos de atitudes, de comportamentos, de maneiras de enxergar o mundo, por que não como momento propício também para iniciarmos uma nova atividade? Nosso cérebro se abre para isso.

O engraçado é que isso acontece justamente durante ou pouco após sermos engolidas por uma descarga hormonal que nos faz enxergar somente nossos filhotes. Seria para compensar o foco estreito que temos em relação ao bebê no período pós-parto???

Ah, a culpa… eu também morreria de culpa se abandonasse meu trabalho. Então, a culpa está por todo lado e mantenho o que eu disse ali em cima pra Camila. E aprender a lidar com a culpa também nos enriquece muito! Bagunça as coisas aqui dentro, gera mudança, aprendizado, amadurecimento!

Não tem aquela história de que devemos aproveitar algumas janelas temporais biológicas para desenvolver algumas habilidades? É fácil a gente entender isso quando se fala em desenvolvimento infantil. Mas, pensando sobre nós, as mães, pra mim faz todo sentido aproveitar essa janela biológica alcançada com a maternidade para desenvolver novas habilidades também, seja como mãe aprendendo a amar, a fazer feira e papinha ou como profissional. Não sei quanto a vocês, mas eu não posso perder esse bonde! Quero tudo! Todas as possibilidades!

 _____________________

Menti sobre o período que voltei a trabalhar para evitar a condenação por parte de pessoas que julgam sem conhecer. Na verdade, voltei a trabalhar no consultório quando os meninos estavam com um mês e meio. E, graças ao velho conceito de que quantidade não é qualidade,  ninguém por aqui recebeu menos carinho por causa disso!

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3 Comentários»

  Uli wrote @

hahahah…Ai Chris..só vc mesma! Amei o post e tudo o que vc escreveu…
Cara, na minha cabeça essa questão de ter voltado ao mercado ou não é tão bem resolvida, que as vezes me pergunto pq as pessoas fantasiam tanto?! Fantasiam sobre a maternidade, depois fantasiam sobre a volta ao trabalho…meu Deus quanta cobrança em cima de si!!!! Sejam felizes! E isso serve pra vc amiga que é tão dedicada com o trio e uma profissional tão bem sucedida! Se culpar pra quê??? (com todo o meu respeito, única parte do teu texto que não concordo)
Nunca fui uma mãe monotemática, acho inclusive, meio triste uma mulher só ter disso pra falar. Até com meu marido quando saímos, evitamos falar dos filhos. Mas pra isso, embora não trabalhando fora, preciso não me bitolar…organizo meu tempo como nunca pude antes (qdo trabalhava). Hj leio mais, malho, tenho mais tempo para Deus e desenvolvimento da minha espiritualidade, e sou muito bem resolvida e acima de tudo, sinto muito orgulho da pessoa no qual me transformei.
Num “quebra-gelo” aqui em casa na sexta (reunião do meu grupo da igreja) tínhamos que destacar características positivas da pessoa que estivesse a nossa esquerda, e eu pude ouvir coisas tão legais a meu respeito que confesso que fiquei emocionada e são momentos assim que me fazem acreditar que estou no caminho certo.
Só fico triste quando vejo pessoas que. infelizmente, só acreditam em dois lados: ou estar no mercado de trabalho conquistando o seu espaço e o seu “próprio” dinheiro ou estar em casa cuidando dos filhos com uma visão “emburrecida” pro mundo lá fora.
“Hellooooo-ou!” E a terceira opção? Da mulher inteligente que resolveu parar de trabalhar pra cuidar dos filhos e continua antenada e tvz até melhor do que era antes, como pessoa? (no meu caso com certeza).
Eu me sinto realizada, pq modéstia pras “cuicuias” eu me encaixado nessa.
Áhhhh! Sobre o fenômeno mompreneurs, descobri mais do que nunca o meu potencial para a fotografia…pra fazer papinhas tbm, mas deixa isso pra lá…hahaha

  Camila wrote @

Querida, q delícia ler esse post! Adorei! É sempre legal trocarmos experiências com pessoas que são como a gente, né?! Super obrigada, adorei mesmo!
Bjos,
Camila
http://www.mamaetaocupada.blogspot.com

  Chris wrote @

Uli,
você pode não acreditar, mas pensei em vc enquanto estava escrevendo o post. Sabe em que parte? Onde eu falo que apóio as mães que trabalham ou têm alguma outra atividade extrafilho. Lembrei o quanto você se dedica à sua igreja. Ia citar nomes, mas achei melhor não.
Quanto a culpa, talvez não seja o seu caso, mas convivo com ela sim. Não tenho vergonha disso, sei que faz parte da nossa natureza. Tô aprendendo… tomara que um dia eu consiga!
Enfim, como diz a Camila, é sempre bom a gente conversar com gente como a gente. E sinto que vc é assim como a gente!
Origada pela participação aqui no blog e pelos comentários, são super preciosos.

Bjinhossssss,

chris


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