Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Mordida na bochecha

De vez em quando vem um recado na agenda dizendo que um dos meninos foi mordido durante uma brincadeira na escola. Os três aqui em casa já foram vítimas de mordidas de coleguinhas. A última foi essa semana: Antônio foi mordido na bochecha, ficou uma marca enorme, feia, bem perto do olho esquerdo.

Quem já passou por isso sabe que não é nada agradável saber que seu filho foi mordido, que sentiu dor, chorou, ficou quietinho, sentido, magoado, etc. Repito, então, a minha frase de sempre “agora, multiplica isso por três!”. Quando se tem um filho só, a frequência de mordidas levadas é bem menor do que quando se tem trigêmeos.

Até aí tudo bem, a gente sabe que algumas crianças nessa idade apresentam esse comportamento. Meus meninos nunca morderam ninguém, até agora, porque sei que eles podem, sim, morder. São crianças. Sou psicóloga, entendo. O problema é que sabemos que o mordedor é sempre o mesmo e as mordidas estão ficando mais fortes. Não sei se isso é apenas uma sensação minha, talvez potencializada pela ocorrência sucessiva das mordidas, mas dessa vez, além do recado na agenda recebi até uma telefonema da professora.

Sei que a escola está fazendo um belo trabalho para diminuir a frequência de mordidas desse coleguinha e acredito muito no sucesso das intervenções das educadoras. Mas até o resultado começar a aparecer…

Gente, dói o coração ver as marquinhas. Tenho procurado conversar com os meninos sobre isso. Eles contam as situações em que aconteceram as mordidas, quem mordeu, por que  mordeu, o que aconteceu depois, quem cuidou do mordido. Oriento a não reagirem com agressividade, assim como faço quando rola uma briga entre eles aqui em casa. Eles sabem a lição de cor e salteado e até repetem em voz alta toda vez que temos um papao desses: não pode bater, não pode empurrar, não pode chutar, não pode morder, não pode gritar, não pode um monte de coisas! Eles sabem e têm conseguido se controlar muito bem.

Só espero que a mãe do mordedorzinho faça a mesma coisa com ele na casa deles. Ou será que ela deixa tudo por conta da escola? Se for assim, vai demorar para as mordidas desaparecerem.

Meu lado preconceituoso já gritou “só pode ser filho único!”. Ao me perguntar por quê pensei assim, lembrei que Letícia já passou por uma fase de mordidas. Faz tempo e passou rápido porque intervimos logo. Na época, Joaquim era a vítima preferida o mais mordido, talvez porque implicasse mais. Pensei, então, sobre o comportamento dos meus meninos, e até agora, nada tem provocado essa mordeção toda por parte do colega.

Enfim, o jeito é esperar essa fase passar. Enquanto isso, papai vai ensinando pra eles umas técnicas de aikidô (para os que não conhecem: não se assustem e não julguem).

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4 Comentários»

  monica wrote @

Cara Christiana, como mãe de trigêmeos e psicóloga tb, ja passei por isso com minhas cças… Tinha o mesmo papo “ideal” com eles.
Com o tempo eles foram ficando maiores (hoje tem quase 7 anos) e as “mordidinhas” viraram outras coisas….. Empurrões contra a parede, chutes vigorosos, etc.
Pois se prepare! não passa não!
Chegou um momento que tive que orientar o meu menino a revidar sim, e a repetir “estou me defendendo”.
O que percebemos eh que os “valentões” vão fazendo vítimas eqto muitas vezes seus pais estão achando legal. E os nossos, os `politicamente corretos´ viram os bobos. Percebi isso qdo o meu vinha pra casa com um galo gigante na testa e dizia que não tinha feito nada com medo de ter que ir a diretora e eu (!) ficar brava com ele.
Enfim, acredito, alguns nossos conceitos precisam ser revisados qdo pensamos na prática.
Não queremos um filho agressivo mas MUITO menos um filho feito de bobo, saco de pancadas…
Hoje vejo que funcionou. Ele realmente aprendeu a se defender e não eh um garoto agressivo.
Ah! coloca-lo no judô tb ajudou e muito essa fase.
Com as meninas não tivemos esses problemas “físicos”. Hehe.
Boa Sorte!

  Uli wrote @

Aff! Fiquei assustada agora…com seu post e com o comentário da amiga aí em cima….hahaha socorro! O mundo lá fora existe e as crianças não são todas educadas, gentis e boazinhas como meus filhos…
Brincadeira… no fundo eu sei bem como é. Meu sobrinho Isaac sofreu muito tempo de “bullyng” era um tormento. Ele sempre fez a linha meio infantil, CDF e que não gosta de esportes, ou seja, prato cheio para os outros.
Realmente a gente se divide muito no ensinar a não revidar do ensinar a se defender. Minha mãe sempre diz que a sabedoria está no meio termo…cadê o meio termo disso????
Tvz seja as tais técnicas do aikidô…hahaha Depois ensina….rsrsrs
Bjs!

  Re wrote @

Ai Chris, Chris…Aqui em casa essa fase começou cedo…Nicolas esta todo marcadinho das mordidas da Sophia…E eles já estão entendendo, ou não…rs…Mas, estao sempre balançando os dedinhos ou as cabecinhas, sinalizando o famoso não pode, não pode…Não consigo imaginar essa fase por muito tempo e o pior…mordidas de terceiros…Santa Psicologa das Psicologas que nos ajude…rs

  Julia Usui wrote @

Chris, esta semana, a filha de uma amiga pessoal minha iniciou na escolinha, logo no primeiro dia e menina foi mordida, afff… afff

Acredita que ela ficou tão tristinha e magoada, que teve enjoos, vomitos, ficou internada, tudo por efeito emocional, resultado: a Luna não quer mais, de jeito nenhum voltar a escolinha… chato né…. =/

bjs


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