Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Meninos Maus?

“Filhos homens não são fáceis para uma mãe. Seja o peso maior na hora do parto, o nível elevado de testosterona ou, simplesmente, as algazarras que as deixam de cabelo em pé – os meninos trazem um fardo extra à mulher que os deu à luz. Examinando registros de dois séculos de uma igreja finlandesa, Virpi Lummaa, da University of Sheffield, na Inglaterra, tem como provar: filhos homens reduzem a expectativa de vida da mãe, em média, em 34 semanas.”

Foi esse trecho que me chamou a atenção no post publicado no Vizinhos de Útero (adoro!), aí fui conferir o texto todo e achei bem interessante. Olhem só esses achados:

Mães de meninos viveram menos que mães de meninas

Essa discrepância tem relação com o peso na hora do parto – bebês do sexo masculino em geral são maiores; isso sem contar a testosterona. “Esse hormônio pode afetar o sistema imunológico e comprometer nossa saúde”, afirma Lummaa. As mães que deram à luz meninos se revelaram particularmente suscetíveis a endemias infecciosas, como a tuberculose. “Criar meninos tem um custo um pouco maior” que criar meninas, pois eles consomem mais recursos físicos da mãe, acrescenta ela – isso já foi observado em outros mamíferos, como o cervo nobre. Filhos também são menos propensos que filhas a permanecer por perto e zelar pela mãe na velhice.

Os homens representarem um fardo maior não só para a mãe, mas também para os irmãos e irmãs

As crianças nascidas após um filho homem tiveram famílias menores, eram mais franzinas e, geralmente, mais sujeitas a doenças infecciosas fatais. Os efeitos se comprovaram mesmo com a morte do irmão mais velho na infância, sugerindo que o resultado negativo não é fruto de algum tipo de interação fraterna, como a competição por comida, os espancamentos constantes ou a prática da primogenitura, quando o irmão mais velho herda tudo. “Irmãos mais velhos são prejudiciais”, explica a bióloga. “Se o quinto filho for um menino, então o sexto estará em desvantagem.”

Esse fenômeno é ainda mais evidente em casais de gêmeos

Dos 754 casos de gêmeos nascidos entre 1734 e 1888, em cinco cidades rurais da Finlândia, nos irmãos de sexo oposto, 15% a menos das mulheres se casaram e 25% tiveram um número menor de filhos – no mínimo dois a menos, se comparadas àquelas que tiveram uma irmã gêmea. Essa influência por parte do irmão se repetiu sem qualquer relação com a classe social ou outro fator cultural, e se confirmou mesmo quando o gêmeo morreu antes dos três meses de idade, permitindo à gêmea ser criada como filha única.
Lummaa especula que a exposição uterina à testosterona seja responsável pelo sofrimento da gêmea. A forte influência hormonal em outros animais, incluindo ratos de laboratório e vacas, já havia sido constatada por outros pesquisadores. Quando uma vaca dá cria a gêmeos de sexos diferentes, é comum a fêmea nascer estéril devido à influência da testosterona. Seja qual for a causa, o resultado é indiscutível: mães de gêmeos de sexo oposto acabam com 19% menos netos que aquelas que tiveram gêmeos do mesmo sexo.

Ahááá! Considerando que filhos homens encurtam a vida da mãe e afetam a capacidade reprodutiva de irmãs e irmãos mais novos, agora já tenho uma resposta científica para quando me perguntam se eu queria ter tido ou ainda quero tentar ter uma menininha.

E tem mais:

(…) Apesar do custo alto, com certeza não haverá menos filhos homens. “Se você gerar um menino muito, muito bom, ele dará origem a muitos filhos”, acrescenta a bióloga – um resultado excelente do ponto de vista evolutivo. “Se por um lado perdemos gerando um filho, por outro, ganhamos muito mais.”

Na época que descobri o sexo dos três, fiquei muito feliz (e também achei que seria mais prático). Não tinha parado para pensar nas consequências de gerar três meninos muito muito muito bons (ok, a modéstia passou longe). Pensa bem, apesar deles consumirem praticamente toda a minha energia, me deixarem com rugas e cabelos brancos e diminuirem minha expectativa de vida (céus, também devo multiplicar esse prejuízo por 3?), já posso até ver a quantidade de villelinhas e strausszinhos saltitando por aí daqui a alguns anos.

Alguém aí ainda acha que precisamos tentar ter uma menininha?

Brincadeiras à parte, fechamos a fábrica. Eu acho.

********

Não tive acesso aos artigos originais da pesquisadora, mas você pode ler o texto todo aqui na Scientific American ou em português, aqui na Scientific American Brasil.

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2 Comentários»

  Teka wrote @

Ahhha adorei a comprovação cientifica que a testosterona acaba com a mãe, eu sou a prova viva, com dois meninos, eles não páram: meus cabelos brancos e rugas apareceram durante a gestação e crescem exponencialmente. Agora fiquei com dó de Sofia que poderá sofrer as consequecias ainda mais, pois hoje já sofre apanhando deles desde bebezinha. Mas ainda assim eu se fosse vc tentaria uma menina, é uma experiência completamente oposta. Vc iria amar viver a dualidade!

  christiana strauss – mãe dos trigêmeos wrote @

Teka, vc tem razão. Eu adoraria ter uma menininha! Nossa, como já pensei nisso! Mas, sabe, tenho a minha sobrinha, que tem a mesma idade dos tri, e meu mundo cor de rosa é todo dela!
Bjinhosssss


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