Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo para De 2 anos a 2 anos e meio

Beijos no papai

 Porque ele merece!!!

Como a gente ama o papai! Paizão!

De bundas pra lua

… ou pro sol! Adoro essas fotos.

Aliás, adoro quando eles ficam assim. Podem passar uns bons minutos desse jeito, às vezes em silêncio, mas quase sempre conversando, trocando idéias, narrando aventuras inventadas, imaginando coisas. Pensam sozinhos e juntos ao mesmo tempo, dividem experiências e somam sabedorias, se constroem. Como é bom ter irmãos!

Cenas de um domingo

Gigantes

Genial! Adoro propagandas assim. Perturbam nossa percepção e nos trocam de lugar.

Lembrei que ainda não tinha registrado aqui no blog essa nova fase dos meninos. Outro dia vovô Oscar deu desses carrinhos para eles e nos surpreendemos.

Caminho sem volta, passagem só de ida, pague para entrar e reze para sair, qualquer coisa do tipo – Eles amaram! O problema é que como todas as outras crianças, eles não se contentam com um só.

É. Ser mãe de meninos é encontrar carrinhos espalhados pela casa.

Somente para Doutoras

 

 

Acabei de receber esse texto da minha irmãzinha, a Dra Nathália. Descobri que o texto é antigo e conhecido por muitos, mas achei que valia a pena guardá-lo aqui.

Dras., espero que curtam. Aí vai:

 

Certo dia, uma mulher foi renovar sua carteira de motorista e perguntaram-lhe qual era a sua profissão. Ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.

O funcionário insistiu.

– Estou perguntndo se você tem um trabalho…

– Claro que tenho um trabalho! – Exclamou a mulher. – Sou mãe!

– Isso não é trabalho! – disse o funcionário friamente. – Vou colocar “dona de casa”.

 Uma amiga sua, chamada Marta, soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.

Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendia era uma funcionária de carreira, segura e eficiente.

O formulário parecia interminável. A primeira pergunta foi: “Qual a sua ocupação?”.

Marta pensou um pouco e respondeu:

– Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas.

A funcionária fez uma pausa. Marta precisou repetir a frase, enfatizando as palavras mais significativas.

Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar:

– Desculpe-me, mas o que é que a senhora faz exatamente?

Com muita calma, Marta explicou:

– Desenvolvo um programa a longo prazo “indoor” e “outdoor”.

Pensando na sua família, ela continuou:

– Sou responsável por uma bela equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia. Às vezes até vinte e quatro horas!

À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.

Quando voltou para casa – “indoor” – Marta foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.

Subindo ao andar de cima da casa,ela pôde ouvir seu mais novo projeto, um bebê de sei meses, testando uma nova tonalidade de voz.

Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades – e horas intermináveis de dedicação… “Mãe, onde está o meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não para de chorar!  Mãe, você me busca na escola? Mãe, você compra? Mãe…”.

Sentada na cama, Marta pensou: “Se eu sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?” E logo descobriu um título para elas: doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.

Num mundo em que se dá tanta importância aos títulos, em que se exige cada vez mais especializações na área profissional, torne-se especialista também na  SUA* arte de amar!

*Acrescentei o SUA ao texto porque cada um ama de um jeito e ninguém tem que ser especialista em amar do jeito que a outra ama. 😉

Mordida na bochecha

De vez em quando vem um recado na agenda dizendo que um dos meninos foi mordido durante uma brincadeira na escola. Os três aqui em casa já foram vítimas de mordidas de coleguinhas. A última foi essa semana: Antônio foi mordido na bochecha, ficou uma marca enorme, feia, bem perto do olho esquerdo.

Quem já passou por isso sabe que não é nada agradável saber que seu filho foi mordido, que sentiu dor, chorou, ficou quietinho, sentido, magoado, etc. Repito, então, a minha frase de sempre “agora, multiplica isso por três!”. Quando se tem um filho só, a frequência de mordidas levadas é bem menor do que quando se tem trigêmeos.

Até aí tudo bem, a gente sabe que algumas crianças nessa idade apresentam esse comportamento. Meus meninos nunca morderam ninguém, até agora, porque sei que eles podem, sim, morder. São crianças. Sou psicóloga, entendo. O problema é que sabemos que o mordedor é sempre o mesmo e as mordidas estão ficando mais fortes. Não sei se isso é apenas uma sensação minha, talvez potencializada pela ocorrência sucessiva das mordidas, mas dessa vez, além do recado na agenda recebi até uma telefonema da professora.

Sei que a escola está fazendo um belo trabalho para diminuir a frequência de mordidas desse coleguinha e acredito muito no sucesso das intervenções das educadoras. Mas até o resultado começar a aparecer…

Gente, dói o coração ver as marquinhas. Tenho procurado conversar com os meninos sobre isso. Eles contam as situações em que aconteceram as mordidas, quem mordeu, por que  mordeu, o que aconteceu depois, quem cuidou do mordido. Oriento a não reagirem com agressividade, assim como faço quando rola uma briga entre eles aqui em casa. Eles sabem a lição de cor e salteado e até repetem em voz alta toda vez que temos um papao desses: não pode bater, não pode empurrar, não pode chutar, não pode morder, não pode gritar, não pode um monte de coisas! Eles sabem e têm conseguido se controlar muito bem.

Só espero que a mãe do mordedorzinho faça a mesma coisa com ele na casa deles. Ou será que ela deixa tudo por conta da escola? Se for assim, vai demorar para as mordidas desaparecerem.

Meu lado preconceituoso já gritou “só pode ser filho único!”. Ao me perguntar por quê pensei assim, lembrei que Letícia já passou por uma fase de mordidas. Faz tempo e passou rápido porque intervimos logo. Na época, Joaquim era a vítima preferida o mais mordido, talvez porque implicasse mais. Pensei, então, sobre o comportamento dos meus meninos, e até agora, nada tem provocado essa mordeção toda por parte do colega.

Enfim, o jeito é esperar essa fase passar. Enquanto isso, papai vai ensinando pra eles umas técnicas de aikidô (para os que não conhecem: não se assustem e não julguem).

Quando os porquinhos se trancaram no banheiro

Era uma vez três porquinhos: Telencéfalo, Diencéfalo e Mesencéfalo… tá bom, vou começar de outro jeito.

Um belo dia, Antônio ficou preso no banheiro.

Estavam brincando na sala de TV quando resolvi arrumá-los para irmos à casa da minha sogra. Quase todo domingo a gente almoça lá. Chamei Antônio e entramos juntos no quarto deles. Enquanto eu pegava as roupinhas no armário, Antônio disse que iria  fazer xixi (é, já está assim, ele vai ao banheiro sozinho, até dá descarga, um fofo!), passou por mim e entrou no banheiro. Quando percebi que ele tinha fechado a porta já era tarde demais. Ele fechou a porta e girou o trinco.

– Antônio, abra a porta, filho.

– Não consigo, mamãe.

– Abre, filho, é só girar o trinco.

– Tá muito difícil, mamãe.

Ele, calmíssimo. Eu, com o coração na boca.

A essa hora o Caco já tinha saído que nem doido procurando a chave mestra que abre as portas dos banheiros. Não achou. Trouxe umas chaves de fenda.

Fiquei ali parada, sentada, conversando com Antônio o tempo todo. Rezava para que ele não se desse conta de que estava trancado. Ele, calminho, fazia força para girar o trinco.

– Mamãe, tá dodói aqui.

– Dodói aonde, filho?

– Aqui.

– Já vai passar. Vai, tenta de novo, gira o trinco.

– Não “consego”.

Não. Aquilo não era verdade. Eu só podia estar sonhando. Entrar pela janela? Até daria porque não é basculante. Mas  o segundo andar é alto demais e nem temos escada pra isso. Na hora, lembrei de uma megasuperescada caríssima que vendiam no polishop. devíamos ter comprado assim que viemos pra essa casa. Mas não era hora de pensar nisso.

Foi quando o pior aconteceu. Consegui olhar pelo buraco da fechadura. “Perái, não tinha buraco de fechadura aqui!”

Antônio tirou o trinco da porta. Mais tarde entendi que esse era o dodói a que ele se referia. Como ele fez isso, eu não sei, porque aquilo é muito duro e não sai assim, puxando. Mas ele tirou. Tirou a fechadura e a minha calma. Ou melhor, tirou quase a minha alma! Que vontade de chorar! Nunca senti isso: estava com medo de que ele sentisse medo.

Deixei o Caco conversando com ele e fui para sala me acalmar. Já estava pensando em chamar um chaveiro quando ele conseguiu sair. Sozinho, ele encaixou o trinco e abriu a porta.

Veio todo sorridente me dar um beijo e um abraço.

– Eu conseguiu!!!

Juro que não sei se o que senti foi medo, raiva por não ter previsto essa possibilidade, alívio, queria dar uma bronca enorme,mas só consegui dar abraços, beijinhos e cheirinhos nele. A bronca ficou por conta do Caco, que também se incumbiu de tirar os trincos das portas internas da casa inteira. O único que ficou no lugar foi o do lavabo, mas os meninos não podem saber disso de jeito nenhum!

Ou será que todos deveriam passar por isso para aprender que ficar preso não é legal??? Será que eles já tinham se trancado e se destrancado antes e eu não fiquei sabendo?

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É impossível não imaginar como seria a reação dos outros dois nessa situação.

Oscar (o córtex do trio) provavelmente entraria em pânico e perderia a voz, o fôlego e a razão de tanto gritar (contraditório, não?). Seria assustador e traumático pra todo mundo. 

Joaquim… o meu macaquinho Joaquim… bom, Joaquim não trancaria a porta, e se trancasse, iria tentar abrir uma única vez. Não conseguindo, arrumaria uma revista pra ler, iria brincar com água, com os brinquedos que ficam lá, iria brincar de dar descarga e ficar olhando a água rodando descendo privada abaixo, iria comer pasta de dente até enjoar, iria brincar de subir na bancada para cantar e dançar em frente ao espelho. Ele nunca fez nada isso, mas esse tipo de coisa é a cara dele. Nisso, alguém já teria o tirado de lá.

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Inevitável concluir: excesso de razão, daquilo que alguns chamam de consciência, de pensar “racionalmente”, nem sempre é bom! E é aqui que reaparecem os porquinhos: construindo juntos a casa de tijolo. Muita viagem??? Não se considerarmos que maturidade seja trabalhar em conjunto e até mesmo que evolução (sim, a de Darwin) ruma ao equilíbrio entre razão e emoção…

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