Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo de Linguagem

O menino que ama os livros

Fizemos algumas mudanças aqui em casa: os tri ganharam um escritório só pra eles. Pra isso, alguns livros saíram de estante de lá, enquanto outros entraram, juntamente com algumas coisinhas deles (depois faço um post sobre como tem sido a rotina das tarefas da escola). E no meio da arrumação me deparei com essa imagem e tive que registrar – Oscarzinho, o devorador de livros.

Não há mais o que fazer, ele já foi seduzido, já se entregou e não tem mais jeito, já foi além de juntar letras e palavras, ele aprendeu a ler.

Lê tudo com um interesse enorme, de bula de remédio à livro que não entende, ele vai lá e lê. Depois fica fazendo aquelas perguntas difíceis que a gente nem sabe por onde começar pra responder. E agora deu pra andar com caderneta e “lápis grafite” (é assim que ele chama o lápis preto) pra todo lado. O que ele vê e gosta, ele anota, o que ele não gosta, ele anota também. E o que ele não vê, ele inventa, só pra ter o que anotar.

E foi por isso que quis guardar esse momento numa foto. Certeza que ele não estava entendendo nada daquele livro, mas naquele momento, naquele lugar, daquele jeitinho, ele estava sendo ele.

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Preciso falar que no banheiro deles tem um monte de gibis da Turma da Mônica? Valeu, Maurício!

Quem cochicha…

Mais um flagra da série “pra que serve um irmão”.

A câimbra e a (a)valanche

E outro dia aquela mesma mão marcada pelo barbante que puxava o caminhão sofreu de um mal moderno.

– Mãe, existe câimbra de jogar videogame?

– Existe, filho. Você tá com câimbra? Então descansa um pouco. Vocês já estão jogando há um tempão…

– Não, mãe, a gente vai continuar jogando, o controle é que vai descansar agora. Ai… que dor – e sacudia as mãozinhas abrindo e fechando os dedos – Mãe, me explica como acontece a câimbra?

Agora, volta e meia o menino aparece com câimbra em tudo quando é lugar. Até a preguiça ganhou outro nome. E só porque sabe que uma das causas é o uso excessivo do músculo, tudo com ele pode justificadamente acabar em câimbra.

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Oscarzinho está uma coisa! Essa semana, me acordou de manhã peguntando se “valanche” se escreve com X ou com CH.

– Com CH, filho, e não é valanche, é avalanche, a-va-lan-che.

– Não, não, mãe, é valanche mesmo, aquela de neve. Vou escrever no meu desenho. Obrigado, mãe.

Saiu andando, nem deu tempo de conversar, convicto de tudo, uma esperteza tamanha, só não sabia que era seis da manhã ainda.  Antes de ver o desenho para corrigir a falta do A, fui lá e coloquei pilha nova no relógio do quarto deles.

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Quando, nesse mundo pré-Xbox e Era do gelo 1, 2 e 3, uma criança de 5 anos se preocuparia com câimbras e avalanches?

Manhê, Paiê

Achei no meio dos desenhos do Oscarzinho. Aí o mundo parou de rodar, fui sugada por alguns instantes mágicos no meio de uma sexta tumultuada e não conseguia parar de olhar o papel. Ele já sabe escrever e escreve o que quer. Ainda me assusto com isso.

Caco também se assusta. Outro dia, estávamos viajando de carro e os três tagarelando no banco de trás. Falavam muito, conversavam feito gente grande, com pausas, argumentos, perguntas, respostas, coisa de gente muito civilizada. A gente ali, caladinhos, só ouvindo o papo. Aí o Caco me olha e fala baixinho: “Car#(%$*&! Eles já sabem falar!” É verdade, a gente ainda se assusta com isso.

Será que dá pra apertar o pause pra eu respirar um pouco?

One, two…

Essa foi o papai quem me contou. Aconteceu há um tempão, mas me lembrei outro dia e vi que não tinha registrado… então, vai com uma foto antiguinha também.

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Estavam conversando com uns conhecidos e, como de costume, alguém chegou para o Oscarzinho e começou a brincar:

– É verdade que vocês são trigêmeos?

– É – e levantou os três dedinhos da mão.

– Nossa, cara, que legal! Aqueles ali são gêmeos, você sabia? – apontando para outros dois meninos ali perto.

– É, eu sei, mas eles dois não são trigêmeos, eles são twogêmeos – levantou dois dedinhos e continuou- são twogêmeos porque eles são só dois!

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Chique, não? Agora eles são threegêmeos!

Mãe de três

Estava dando uma organizada no meu computador e achei esse desenho do Oscarzinho, que carinhosamente intitulei “Mãe de três”.

O desenho foi feito em outubro do ano passado, na época do Halloween e não lembro se já tinha publicado aqui.

Reparem nos sorrisos gostosos dos moleques e na cara de desespero da mãe. Das duas uma, ou o menino quis retratar em detalhes a noite de doces ou travessuras, ou as vezes a mãe faz mesmo essa cara de “E agora? Alguém me ajuda!”  Fofo!

Preciso me olhar no espelho com mais frequência.

A gente só percebe que eles crescem …

… quando as obras são assinadas.

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