Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo para Mãe que trabalha

Como poderei viver

Sem a tua, sem a tua,
sem a tua companhia?

Letícia, essa é pra vc! Volta logo!!!

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Dezembro está me engolindo viva. Sempre é assim, nunca dá tempo pra nada – presentes para comprar, festa para oragnizar, marido, filhos, trabalho, casa – caos total!

E enquanto eu me desenrolo nos afazeres mil, o quarteto se esbalda no clube. Falando nisso, que calor é esse???

Bom, não vou desejar feliz natal porque ainda pretendo voltar aqui no blog antes de sábado. Até lá!

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Somente para Doutoras

 

 

Acabei de receber esse texto da minha irmãzinha, a Dra Nathália. Descobri que o texto é antigo e conhecido por muitos, mas achei que valia a pena guardá-lo aqui.

Dras., espero que curtam. Aí vai:

 

Certo dia, uma mulher foi renovar sua carteira de motorista e perguntaram-lhe qual era a sua profissão. Ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.

O funcionário insistiu.

– Estou perguntndo se você tem um trabalho…

– Claro que tenho um trabalho! – Exclamou a mulher. – Sou mãe!

– Isso não é trabalho! – disse o funcionário friamente. – Vou colocar “dona de casa”.

 Uma amiga sua, chamada Marta, soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.

Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendia era uma funcionária de carreira, segura e eficiente.

O formulário parecia interminável. A primeira pergunta foi: “Qual a sua ocupação?”.

Marta pensou um pouco e respondeu:

– Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas.

A funcionária fez uma pausa. Marta precisou repetir a frase, enfatizando as palavras mais significativas.

Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar:

– Desculpe-me, mas o que é que a senhora faz exatamente?

Com muita calma, Marta explicou:

– Desenvolvo um programa a longo prazo “indoor” e “outdoor”.

Pensando na sua família, ela continuou:

– Sou responsável por uma bela equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia. Às vezes até vinte e quatro horas!

À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.

Quando voltou para casa – “indoor” – Marta foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.

Subindo ao andar de cima da casa,ela pôde ouvir seu mais novo projeto, um bebê de sei meses, testando uma nova tonalidade de voz.

Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades – e horas intermináveis de dedicação… “Mãe, onde está o meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não para de chorar!  Mãe, você me busca na escola? Mãe, você compra? Mãe…”.

Sentada na cama, Marta pensou: “Se eu sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?” E logo descobriu um título para elas: doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.

Num mundo em que se dá tanta importância aos títulos, em que se exige cada vez mais especializações na área profissional, torne-se especialista também na  SUA* arte de amar!

*Acrescentei o SUA ao texto porque cada um ama de um jeito e ninguém tem que ser especialista em amar do jeito que a outra ama. 😉

Boa notícia lá e insight cá

Eu disse que desenvolveria melhor o assunto do último post. E agorinha mesmo apareceu uma boa oportunidade de tocar no assunto de novo!

Hoje me deparei com a boa notícia sobre a vontade da Camila voltar a trabalhar. Deixei um comentário lá, mas bateu vontade de falar sobre isso por aqui também. Segue o trecho do comentário:

Adorei Camila! Tanto o post como a decisão estão super acertados!…

Voltei a trabalhar quando meus trigêmeos estavam com quatro meses. Voltei primeiro para o consultório, assim como você está pensando em fazer. E deu super certo. Logo depois voltei a lecionar em duas universidades, de manhã e de noite. Pode parecer loucura e algumas pessoas que não convivem comigo pensam que eu tenho uma rotina louca e vivo no caos. Ou pior, pensam que meus filhos não têm mãe! Mas não é nada disso. Dá muito bem para viver os dois mundos. A culpa sempre vai existir, o importante é saber lidar com ela. Clichê? Não importa. É fato, pronto e ponto.

Ontem mesmo conversei com uma aluna sobre ser mãe e psicóloga. Me peguei falando a seguinte frase “Ser mãe tem me ajudado a ser uma psicóloga mais completa mais do que ser psicóloga tem me ajudado a ser mãe.”…

Já expus minha posição em relação a trabalho e maternidade aqui no blog várias vezes e quem se interessar pode procurar pelo assunto “Mãe que trabalha” ou clicar aqui. O fato é que nessa loucura toda, tenho pensado muito nisso, tenho constantemente me perguntado o quanto compensa ou até mesmo se vale a pena dividir o tempo dedicado às crianças com o trabalho fora de casa. Eis minha conclusão, ou melhor, parte dela:

Ser mãe nos engrandece, nos fortalece e favorece nossa adaptação ao ambiente em que vivemos. Como eterna neurocientista antenada sei que nosso cérebro até cresce após a maternidade (aqui e aqui). Tudo por conta de novas conexões, novos circuitos, resultado de muito aprendizado. Pra quê? Talvez para algo mais além de proteger e alimentar a prole… quem sabe para uma evolução pessoal, coletiva ou até mesmo espiritual? Pra mim, tudo isso parece fazer muito sentido.

Nada contra a monotematicidade das mamães – que só sabem ou só querem falar sobre os filhos – mas cá pra nós… se queremos um mundo melhor para os nossos filhos, temos que fazer parte dele, temos que tentar melhorá-lo!  Não basta ficar dentro de casa enchendo o rebento de amor, afeto, atenção e tudo o mais enquanto o mundo lá fora pega fogo. É preciso fazer as duas coisas! Garantir a sobrevivência da espécie também é cuidar do mundo lá fora! Não acho que meus filhos serão prejudicados pelo meu trabalho. Não mesmo! Pelo contrário! Então, apóio e defendo mães que, por necessidade ou por opção, trabalham ou têm uma atividade extrafilho.

E olha que bacana, quem acha que tem um trabalho chato, sem sentido, que só tem como retorno o salário do fim do mês – e que por isso pesa no momento de deixar os filhos em casa – pode aproveitar esse momento “mãe” para repensar sobre a ocupação e sobre em que realmente gostaria de trabalhar.

Conhecem o fenômeno wahms ou mompreneurs?

Lembrei disso ao ler a coluna do Alexandre Hohagen na Folha de São Paulo hoje cedo (Mudanças sem razão). Ele falava sobre mudanças, dizia que aderimos a mudanças mais por motivos emocionais do que racionais. Acho que se maternidade aparece como um momento perfeito para mudarmos de atitudes, de comportamentos, de maneiras de enxergar o mundo, por que não como momento propício também para iniciarmos uma nova atividade? Nosso cérebro se abre para isso.

O engraçado é que isso acontece justamente durante ou pouco após sermos engolidas por uma descarga hormonal que nos faz enxergar somente nossos filhotes. Seria para compensar o foco estreito que temos em relação ao bebê no período pós-parto???

Ah, a culpa… eu também morreria de culpa se abandonasse meu trabalho. Então, a culpa está por todo lado e mantenho o que eu disse ali em cima pra Camila. E aprender a lidar com a culpa também nos enriquece muito! Bagunça as coisas aqui dentro, gera mudança, aprendizado, amadurecimento!

Não tem aquela história de que devemos aproveitar algumas janelas temporais biológicas para desenvolver algumas habilidades? É fácil a gente entender isso quando se fala em desenvolvimento infantil. Mas, pensando sobre nós, as mães, pra mim faz todo sentido aproveitar essa janela biológica alcançada com a maternidade para desenvolver novas habilidades também, seja como mãe aprendendo a amar, a fazer feira e papinha ou como profissional. Não sei quanto a vocês, mas eu não posso perder esse bonde! Quero tudo! Todas as possibilidades!

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Menti sobre o período que voltei a trabalhar para evitar a condenação por parte de pessoas que julgam sem conhecer. Na verdade, voltei a trabalhar no consultório quando os meninos estavam com um mês e meio. E, graças ao velho conceito de que quantidade não é qualidade,  ninguém por aqui recebeu menos carinho por causa disso!

ah, se eu fosse duas…

Sabe quando as coisas acontecem tudo ao mesmo tempo? Então! Cogitei duas saídas: abrir mão de alguma coisa no meio desse “tudo” ou rezar para dormir uma e acordar duas. Como a segunda opção não passa de um devaneio meu, alguma coisa há de ser sacrificada… desculpa, gente, tive que me afastar uns dias do blog.

Mas não se preocupem, foi por uma boassíssima causa!!!

Tenho acompanhado os blogs, leio um milhões de coisas que gostaria de comentar, registros mil entram na fila de publicação… enfim, saca aquela ansiedade por querer escrever, dividir, exibir? Tá tudo aqui, tudinho… intacto.

Mas… ai! Como eu queria ser duas! Seria pedir muito querer estar em dois lugares ao mesmo tempo? Depois, era só juntar as partes, trocar idéias, assim como quem troca um chip. Só queria poder aproveitar tudo sem ter a sensação ruim de que algo está ficando pra trás? Quem tem múltiplos devia ter esse direito!!! Não acham? Aliás, não tem nada a ver com ter múltiplos, tem muita gente por aí que, mesmo sem filhos, anda se sentindo assim como eu.

Prometo desenvolver melhor o assunto num futuro post.

Ah, e pelamordedeus!, entendam: as crianças estão ótimas e nada vem na frente delas na lista de prioridades.

Um dia daqueles

Foi hoje. Antônio com febre ficou com uma avó, Joaquim, também com febre, ficou com a outra. Só Oscarzinho ficou na escola. Agora, está tudo bem, todos medicados, dormem tranquilamente.

Acho que é garganta… Esse calor está de matar, passaram o último fim de semana inteirinho sob um sol assassino. Isso é que dá, mas não me arrependo, eles se divertiram demais! A febre só pode ser de garganta inflamada. Faz parte. Amanhã, médico para os três!

Até aí tudo bem. O problema é que enquanto isso acontecia, eu percorria o circuito aula-de-manhã-consultório-a-tarde-e-mais-aula-a-noite. Papai e Cida cuidam das crianças enquanto mamãe está em aula à noite e eles fazem isso muito bem. Mas mesmo assim, uma culpa absurda me consome. Posso conviver com essa monstra? Meus filhos doentinhos e eu cuidando de outras coisas… não sei se posso, não.

O jeito é aproveitar a noite de termômetros e remedinhos para ficar grudada neles. E vamos torcer para que seja mesmo apenas uma dorzinha de garganta.

Desabafo

– A Kika tá sempre carregando um monte de coisa. Quando não é filho, é compra, é pasta, livro, computador… tá sempre correndo.

Outro dia escutei isso da Valda e fiquei me perguntando pra onde isso tudo vai me levar, ou talvez, pra onde eu esteja levando tudo isso…

Por enquanto está tudo bem leve, tudo tem sido flores. Sinto que vou na contramão, mas quero e preciso ir nessa direção. De preferência de bicicleta porque tenho pressa e preciso de ar nos meus pulmões! As pessoas olham, tentam ajudar, algumas admiram, outras sentem pena. Paciência, são diferentes, suas necessidades são outras. Estou um pouco cansada e muito culpada  feliz assim! Só sei que o tempo é tão curto que nem dá para falar sobre isso ou sobre a foto que o Alain Delorme fez de mim.

Enfim, entenderam? Deu pra sacar como tem sido corrido esses dias?

As crianças estão ótimas! Só que quero férias!!! Quero tempo integral com elas!

E tempo para escrever aqui sobre carregar e ser carregada… é, sinto muito, vai ter que ficar pra depois! 

Ah, e voltando à foto(shopada) do Delorme… Legal, né?! Apropriadíssima!

Pra quem não entendeu nada, tudo isso é só uma desculpa pela falta de posts ou um simples desabafo… porque blog também serve pra isso!

Operação desfralde: O planejamento

Agora multiplica isso por três!

Agora imagina antes de passar por isso aí que você acabou de imaginar, ter que ensinar os três a usarem o troninho e ter que conviver com inúmeros acidentes até que tenham de fato aprendido. Imaginou?

É por isso que estou esperando as minhas férias para dar início ao processo. Não que eu queira sair correndo atrás deles limpando números um e dois que tenham escapado sem querer, disso eu não faço questão, não. Só quero poder participar e acompanhar o processo de perto, bem perto, e isso é impossível enquanto estou trabalhando.

O bom é que a escola também só dará início à operação desfralde no ano que vem. Então, será um trabalho de equipe e temos mais chances de que o treino seja rápido e definitivo.

Dizem que tudo leva aproximadamente um mês. Será que por serem três crianças tenho o direito de levar três meses??? Sim, digo “direito” porque o que eu ando escutando por aí de regras… tenho ficado apreensiva. “Será que vai dar certo?”, perguntaria minha amiga Jana.

Enfim, vamos começar em janeiro e  espero terminar em janeiro mesmo. Quem sabe em fevereiro eles até já saibam limpar seus bumbuns como na tirinha? Aí, em março nem precisarei mais conferir para ver se fizeram tudo direitinho!

Ah, terei que  inserir novas perguntas dentre as mais frequentes (essas à direita aqui no blog): “Quantos penicos?”, “O que vocês fazem quando os três querem is ao banheiro ao mesmo tempo?”, “Os mosqueteiros usam o mesmo penico?”, “Como é o penico dos três mosqueteiros?”, “Eles cag fazem juntos?”, e por aí vai.

Ansiosa, eu? Imagina… psicóloga não tem ansiedade e tem tudo sob controle sempre, inclusive as necessidades fisiológicas dos três filhos! E faz tudo com perfeição, sem gerar traumas, sem dizer não, com paciência tibetana!

É nessa hora que dá vontade de fazer igual à mamãe Camilitcha ocupada que certa vez rasgou o diploma, picou bem picadinho e até botou fogo! E eu ainda varreria as cinzas pra baixo do tapete mais próximo!

Mas… nada de pânico, o desfralde é só mais capítulo da série “Só o tempo dirá”. Talvez tirar as fraldas de três crianças de uma vez não seja tãããão complicado assim. Acho que será, no mínimo, divertido.

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