Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo de Sustos

O beijo e o gesso

Duas estréias – enquanto o Brasil assistia o beijo mais aguardado da tv aberta, fomos ao hospital, filho. Você torceu o pé. Apesar de não se lembrar onde e como isso aconteceu, você sentiu dor, passou o dia mancando e à noite já não conseguia encostar o pé no chão. Foi feito o raio x e vimos que não havia nenhuma fissura, nada, foi só um mal jeito mesmo. A recomendação foi imobilizar por uma semana.

Ahhh Antônio, não consegui fotografar, mas vou guardar para sempre a sua carinha tentando disfarçar a felicidade quando o médico te falou que você iria usar uma botinha… você se sentiu o máximo, todo importante, conversou como gente grande com o médico e com a enfermeira que colocou a tala. Você ficou tão entusiasmado com a situação que quase se esqueceu da dor. Eu fiquei lá segurando a sua mãozinha e apreciando seus pensamentos, seus sorrisos contidos e imaginando como e se você guardaria esse momento na memória. E pensava também em como você aguentaria ficar com aquilo nesse calor. Já você, certamente estava pensando em como seria legal mostrar o gesso e contar tudo para os amiguinhos da escola, até porque você sabia que ganharia todos os mimos e cuidados do mundo.

E quando eu achei que já tinha visto tudo, chegando em casa você contou os detalhes para os irmãos “Gente, gente, lá no estacionamento do hospital eu andei de carrinho de mão!” Carrinho de mão, gente! Padá Padá Padá! Pode uma coisa dessas? Demos muita risada.

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Quer que os tios morram do coração? Mande pelo whatsapp a foto do menino engessado e não diga nada. Desculpa aí, gente, foi mal.

Remediado está

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A tosse veio junto com o frio. Os três estavam com o peito cheio, levei à pediatra e não teve jeito, antibiótico pra todo mundo. Agora, com todos recuperados, vão tomar a vacina antigripe.

Os meninos não ficam doentes com frequência, mas quando acontece é sempre uma semaninha chata de remédios e inalações. E tudo se complica quando várias pessoas dividem a reponsabilidade de medicar o trio. Quem olha de fora pensa que é um Deus nos acuda. Mamãe pergunta pro papai, vovó pergunta para a tia, uma babá pergunta para outra “E, aí, você já deu o remédio? Qual? Pra quem?”. Mas nada de pânico, minha gente, nada de confusão nem de remédios trocados! Desde que nasceram usamos um esquema que sempre funcionou muito bem.

Nunca descrevi esse esquema aqui no blog porque nunca achei que essa fosse uma dificuldade somente de casa de múltiplos. Na verdade em casas de “escadinhas” também paira um certo estado de apreensão quando se tem que administrar remédios diferentes em doses específicas para crianças diferentes em horários diferentes. Isso sem falar nas nebulizações…

Enfim, acho que vale a pena deixar registrado e compartilhar algumas dicas de como medicar certinho a turma toda quando todo mundo fica doente ao mesmo tempo.

Então, lá vai:

1) A coisa começa na farmácia. Se a criançada for tomar os mesmos remédios, vale a pena fazer as contas direitinho em relação às doses e ao tempo estimado de tratamento para não comprar remédio a mais e não gastar além do necessário.

2) Em casa, pegue as receitas e monte uma tabela organizada por horários X crianças. Nas linhas os horários e nas colunas os nomes das crianças. Assim, fica fácil saber o que dar para quem em cada horário. Essa tabela deve ser fixada em local visível próximo ao local onde a medicação será preparada.

3) Mesmo com as crianças já crescidinhas e conseguindo tomar os remédios nos copinhos é mais fácil usar seringas porque, além de ser mais fácil de manusear, garante a precisão da dose. O ideal é utilizar sempre seringas descartáveis e a cada dose abrir uma nova, mas isso não rola por aqui. Usamos uma seringa por criança e por medicação. Após o uso, a seringa é bem lavada e fica pronta para a próxima dose. (Usamos seringas descartáveis apenas quando eram recém nascidos e tomavam complemento de ferro e vitamina C. Aí sim, era uma seringuinha estéril a cada dose. Elas ficavam organizadas em copinhos com o nome de cada bebê).

4) Cada seringa, então, deve ser marcada com o nome da criança, a medicação e a dose que deverá ir ali dentro (vejam nas fotos). Para isso, utilizamos etiquetas feitas com um rotulador eletrônico (já falei sobre ele aqui), mas nada que a dupla “caneta e esparadrapo” não resolva. As vantagens desse tipo de etiqueta é que a letra fica sempre legível e a seringa pode ser lavada milhões de vezes que a etiqueta não desbota, não descola, não estraga e não fica feia.

5) As seringas com as medicações devem ser preparadas nos horários certos e então é só conferir a etiqueta e administrar.

Utilizando esse esquema, evitamos o risco de trocar as medicações, esquecer de alguém ou dar a medicação em dose dupla para um deles.

E vocês, mães de dois ou mais, como fazem? Vamos, dividam suas experiências!

O descanso dos anjos

Antônio e Joaquim dormiam e Oscar lutava bravamente contra o sono, estava a fim de conversar. Falava sobre o F, seu amigo da escola, que queimou a mãozinha na casa dele e “doeu muito”. Falou de F e de todo mundo, do que fez no dia, das músicas que cantou, das atividades, das brincadeiras no parque, etc. Conversamos um bocado, uma delícia.

– Chega, filho, está na hora de dormir. Vamos rezar um pouquinho.

Comecei a oração com o sinal da cruz, ele acompanhou, já sabe fazer bonitinho.

– Obrigado, papai do céu pelo dia de hoje…

– Papai do céu, sara logo o dodói do F porque ele é meu amigão! – Oscarzinho estava mesmo preocupado com o amigo e soube certinho a quem recorrer, em quem confiar.

Preciso dizer que fui dormir completamente emocionada?

No dia seguinte, mandei um recado na agenda dizendo que Oscarzinho estava rezando pela recuperação da mãozinha do amigo. Mãe, pai e  irmã de F agradeceram e mandaram o bilhetinho pra gente (foto).

No dia seguinte, F caiu na escola e se machucou de novo…

– Puxa! – comentei com Oscarzinho – Será que o anjinho da guarda dele estava dormindo?

– Não, mãe. O anjinho da guarda estava só descansando, ele fica cansado porque a gente faz muita bagunça!

Alguém aí discorda da esperteza desse meu anjo? E o que dizer da amizade que cresce entre os nossos anjinhos aqui na terra?

O primeiro ponto

Acho até que demorou. Hoje Oscarzinho teve a testa costurada.

Estava em casa já pronta para sair quando recebi o telefonema da diretora da escola:

– (…) Acho que vai precisar de um pontinho…

– Estou indo praí!

Liguei para a minha mãe, mas ela estava no pilates. Então, vovô Luiz foi com a gente para o pronto-socorro. Tenho certeza que ele, assim como eu, achou que seria mais difícil do que foi.

Lá na escola Oscar estava todo faceiro no colo da professora, rindo, brincando, dizendo que ia para o hospital e depois pra casa da vovó (espertinho!). Ah, e também repetia “Não quero costurar! Não quero costurar!” Onde será que ele aprendeu isso?

Pela foto dá pra ver a tranquilidade do menino, ainda com a cabeça aberta, dizendo que estava voando e bateu com a cabeça na parede. Ah, só um esclarecimento, não sou maluca, era dia de levar fantasia pra escola. Resumindo, o menino fez o maior sucesso nos minutos entre os primeiros socorros e a chegada do nosso médico. Sem falar na música que cantava “Foge foge mulher maravilha, foge foge superman…” De novo: Onde será que ele aprendeu isso???

Bom, posso pular a parte da anestesia e do ponto? Obrigada, porque doeu, sim, nele, em mim e no vovô. Já passou, mas não quero ficar lembrando da cena e do choro dele. Por melhores que sejam as condições, hospital, médico, etc, criança sendo suturada é sempre traumático.

Dois minutos depois ele já tinha parado de chorar. Pediu para ficar na casa da vovó e eu deixei. Depois, já estava todo metido contando a aventura para os irmãos, que tinham ficado na escola super preocupados com ele.

Graças a Deus a pancada não foi nada. E será uma delícia vê-lo todo dia depois do banho pedir com o mesmo jeitinho:

– Eu escolho o bandaid tá, mãe?! – lindo como sempre!

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Mais uns pontinhos:

1) Pensei em escrever um post mostrando toda aflição, coração na mão, o que seja, que senti na hora. Mas naquele momento eu me lembrei de um post desse tipo que li há um tempo e não me ajudou em nada lembrar do relato de uma mãe deesperada naquele momento. Então, desisti do post melodramático.

2) Vovô Luiz pediu(insisitu!) à enfermeira e saiu do hospital com esparadrapo na testa, igual ao neto. Tudo pela alegria do menino. Qual deles? Os dois! Obrigada vovô!

3) Obrigada à equipe da escola que cuidou muito bem do nosso Oscarzinho. Passar por situações como essa é angustiante, mas é bom saber que podemos confiar em vocês. Nota dez!

4) Esse foi o primeiro. Antes disso, nenhum dos três tinham passado por pontos, fraturas, cirurgias, nadica! Anjinhos da guarda exemplares!

5) Taí uma desvantagem de ter trigêmeos: não dá pra saber se a próxima caixa de bandaids será do Batman, do Homem Aranha ou do Super Homem…

Mordida na bochecha

De vez em quando vem um recado na agenda dizendo que um dos meninos foi mordido durante uma brincadeira na escola. Os três aqui em casa já foram vítimas de mordidas de coleguinhas. A última foi essa semana: Antônio foi mordido na bochecha, ficou uma marca enorme, feia, bem perto do olho esquerdo.

Quem já passou por isso sabe que não é nada agradável saber que seu filho foi mordido, que sentiu dor, chorou, ficou quietinho, sentido, magoado, etc. Repito, então, a minha frase de sempre “agora, multiplica isso por três!”. Quando se tem um filho só, a frequência de mordidas levadas é bem menor do que quando se tem trigêmeos.

Até aí tudo bem, a gente sabe que algumas crianças nessa idade apresentam esse comportamento. Meus meninos nunca morderam ninguém, até agora, porque sei que eles podem, sim, morder. São crianças. Sou psicóloga, entendo. O problema é que sabemos que o mordedor é sempre o mesmo e as mordidas estão ficando mais fortes. Não sei se isso é apenas uma sensação minha, talvez potencializada pela ocorrência sucessiva das mordidas, mas dessa vez, além do recado na agenda recebi até uma telefonema da professora.

Sei que a escola está fazendo um belo trabalho para diminuir a frequência de mordidas desse coleguinha e acredito muito no sucesso das intervenções das educadoras. Mas até o resultado começar a aparecer…

Gente, dói o coração ver as marquinhas. Tenho procurado conversar com os meninos sobre isso. Eles contam as situações em que aconteceram as mordidas, quem mordeu, por que  mordeu, o que aconteceu depois, quem cuidou do mordido. Oriento a não reagirem com agressividade, assim como faço quando rola uma briga entre eles aqui em casa. Eles sabem a lição de cor e salteado e até repetem em voz alta toda vez que temos um papao desses: não pode bater, não pode empurrar, não pode chutar, não pode morder, não pode gritar, não pode um monte de coisas! Eles sabem e têm conseguido se controlar muito bem.

Só espero que a mãe do mordedorzinho faça a mesma coisa com ele na casa deles. Ou será que ela deixa tudo por conta da escola? Se for assim, vai demorar para as mordidas desaparecerem.

Meu lado preconceituoso já gritou “só pode ser filho único!”. Ao me perguntar por quê pensei assim, lembrei que Letícia já passou por uma fase de mordidas. Faz tempo e passou rápido porque intervimos logo. Na época, Joaquim era a vítima preferida o mais mordido, talvez porque implicasse mais. Pensei, então, sobre o comportamento dos meus meninos, e até agora, nada tem provocado essa mordeção toda por parte do colega.

Enfim, o jeito é esperar essa fase passar. Enquanto isso, papai vai ensinando pra eles umas técnicas de aikidô (para os que não conhecem: não se assustem e não julguem).

Quando os porquinhos se trancaram no banheiro

Era uma vez três porquinhos: Telencéfalo, Diencéfalo e Mesencéfalo… tá bom, vou começar de outro jeito.

Um belo dia, Antônio ficou preso no banheiro.

Estavam brincando na sala de TV quando resolvi arrumá-los para irmos à casa da minha sogra. Quase todo domingo a gente almoça lá. Chamei Antônio e entramos juntos no quarto deles. Enquanto eu pegava as roupinhas no armário, Antônio disse que iria  fazer xixi (é, já está assim, ele vai ao banheiro sozinho, até dá descarga, um fofo!), passou por mim e entrou no banheiro. Quando percebi que ele tinha fechado a porta já era tarde demais. Ele fechou a porta e girou o trinco.

– Antônio, abra a porta, filho.

– Não consigo, mamãe.

– Abre, filho, é só girar o trinco.

– Tá muito difícil, mamãe.

Ele, calmíssimo. Eu, com o coração na boca.

A essa hora o Caco já tinha saído que nem doido procurando a chave mestra que abre as portas dos banheiros. Não achou. Trouxe umas chaves de fenda.

Fiquei ali parada, sentada, conversando com Antônio o tempo todo. Rezava para que ele não se desse conta de que estava trancado. Ele, calminho, fazia força para girar o trinco.

– Mamãe, tá dodói aqui.

– Dodói aonde, filho?

– Aqui.

– Já vai passar. Vai, tenta de novo, gira o trinco.

– Não “consego”.

Não. Aquilo não era verdade. Eu só podia estar sonhando. Entrar pela janela? Até daria porque não é basculante. Mas  o segundo andar é alto demais e nem temos escada pra isso. Na hora, lembrei de uma megasuperescada caríssima que vendiam no polishop. devíamos ter comprado assim que viemos pra essa casa. Mas não era hora de pensar nisso.

Foi quando o pior aconteceu. Consegui olhar pelo buraco da fechadura. “Perái, não tinha buraco de fechadura aqui!”

Antônio tirou o trinco da porta. Mais tarde entendi que esse era o dodói a que ele se referia. Como ele fez isso, eu não sei, porque aquilo é muito duro e não sai assim, puxando. Mas ele tirou. Tirou a fechadura e a minha calma. Ou melhor, tirou quase a minha alma! Que vontade de chorar! Nunca senti isso: estava com medo de que ele sentisse medo.

Deixei o Caco conversando com ele e fui para sala me acalmar. Já estava pensando em chamar um chaveiro quando ele conseguiu sair. Sozinho, ele encaixou o trinco e abriu a porta.

Veio todo sorridente me dar um beijo e um abraço.

– Eu conseguiu!!!

Juro que não sei se o que senti foi medo, raiva por não ter previsto essa possibilidade, alívio, queria dar uma bronca enorme,mas só consegui dar abraços, beijinhos e cheirinhos nele. A bronca ficou por conta do Caco, que também se incumbiu de tirar os trincos das portas internas da casa inteira. O único que ficou no lugar foi o do lavabo, mas os meninos não podem saber disso de jeito nenhum!

Ou será que todos deveriam passar por isso para aprender que ficar preso não é legal??? Será que eles já tinham se trancado e se destrancado antes e eu não fiquei sabendo?

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É impossível não imaginar como seria a reação dos outros dois nessa situação.

Oscar (o córtex do trio) provavelmente entraria em pânico e perderia a voz, o fôlego e a razão de tanto gritar (contraditório, não?). Seria assustador e traumático pra todo mundo. 

Joaquim… o meu macaquinho Joaquim… bom, Joaquim não trancaria a porta, e se trancasse, iria tentar abrir uma única vez. Não conseguindo, arrumaria uma revista pra ler, iria brincar com água, com os brinquedos que ficam lá, iria brincar de dar descarga e ficar olhando a água rodando descendo privada abaixo, iria comer pasta de dente até enjoar, iria brincar de subir na bancada para cantar e dançar em frente ao espelho. Ele nunca fez nada isso, mas esse tipo de coisa é a cara dele. Nisso, alguém já teria o tirado de lá.

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Inevitável concluir: excesso de razão, daquilo que alguns chamam de consciência, de pensar “racionalmente”, nem sempre é bom! E é aqui que reaparecem os porquinhos: construindo juntos a casa de tijolo. Muita viagem??? Não se considerarmos que maturidade seja trabalhar em conjunto e até mesmo que evolução (sim, a de Darwin) ruma ao equilíbrio entre razão e emoção…

Seu Joaquim

Joaquim caiu e ralou o nariz no chão. Como? Simples: ele estava correndo de mãos dadas com os irmãos, tropeçou e puft! Não teve como proteger o rosto. Tomo mundo caiu, mas só Joaquim se esfolou… E nem chorou! Nem soltou um “Calalo!”. Esse é o Joaquim!

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