Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo de Tridiferentes

O tempo e o blog

Tenho pensado em tornar o blog privado, mas aí eu me lembro de como me senti quando, multigrávida, encontrei blogs sobre múltiplos e rapidinho desisto de desistir do blog. Sei que um dia vou acabar fazendo isso, mas por enquanto ainda curto muito esse espaço.

A verdade é que o que me angustiava quando eu corria pra internet já não me angustia mais. Me encanta mas não me põe medo, ainda me surpreende mas já não me assusta.

Quando vi o trabalho do fotógrafo chinês Gao Rongguo, que mostra como o tempo torna gêmeos idênticos diferentes, parei para pensar mais sobre a função do blog. Encontrei ali exatamente o que me faria parar de registrar publicamente o que acontece com os meus meninos: conforme eles vão crescendo vão deixando se ser múltiplos e se tornando apenas irmãos, pelo menos pra nós pais, porque com a independência que vão adquirindo vão se tornando tão, mas tão diferentes, que aquele tumulto inicial, aquela vida doida, aquela linha de produção montada aqui em casa, essas coisas vão se transformando.

E aí, o blog que tinha como objetivo inicial relatar uma experiência incomum, dar dicas e acolher multimães assustadas, acabou se tornando um diário… e é aí que o bicho pega porque os registros são deles e está ficando cada vez mais difícil ficar à vontade para postar algo das vidinhas deles. Definitivamente não é certo, não publicamente e principalmente se for feito por mim e não por eles próprios.

Penso, por exemplo, nos trabalhos de Danah Boyed que discute bem (Social Privacy in Networked Publics: Teens’ Attitudes, Practices, and Strategies) a questão da privacidade de ontem, de hoje e de amanhã. Tento acompanhar discussões desse tipo, mas continuo sem saber o que fazer. Fechar o blog e deixar um monte de multimães sem uma visão otimista da criação de múltiplos? Continuar registrando algumas coisinhas da vida deles? Criar um Face pra cada um e deixar que cada um administre a sua conta?

São só pensamentos, vou manter o blog por mais um tempo até saber o que fazer e como fazer. Só espero que seja antes dos meninos atingirem a idade dos chineses das fotos do Rongguo…

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Há quem diga que minha hesitação em fechar o blog seja a negação do fato de que estão crescendo, de que não tenho mais tanto controle sobre eles, de que não são mais aquelas três bolinhas com as mesmas necessidades, interesses, escolhas e destinos… sim, verdade que dói. É, tá chegando a hora de mudar o tresmosqueteiros.wordpress.

Sobre as profissões

Esse papo a gente teve há uns meses, no carro, quando falávamos sobre profissões. Tudo começou quando um deles nos perguntou se o V (pedreiro) e o A (caseiro) eram engenheiros, afinal, “Eles sabem consertar tudo!”, e para os meninos, todo engenheiro sabe construir e consertar um monte de coisas.

Papinho difícil com as crianças, mas importantíssimo. Como explicar para crianças tão pequenas que V e A tinham tudo para ser excelentes engenheiros, mas que não tiveram oportunidade de estudar, de dedicar tempo e dinheiro à formação? Tentamos mostrar a realidade e realmente espero que eles tenham entendido o recado. Paramos no ponto em que eles concluíram que ser engenheiro era mais legal do que ser caseiro ou pedreiro – não porque se ganha mais dinheiro sendo engenheiro, mas porque o engenheiro sabe construir e consertar muuuuito mais coisas…

A conversa continuou.

– E aí, crianças, o que vocês querem ser quando crescer?

– Eu quero ser engenheiro! – Antônio disse de imediato.

– Eu quero ser astronauta – Oscarzinho respondeu e ainda explicou suas razões – porque pra ser astronauta tem ser engenheiro antes, pra poder consertar a nave e o satélite se eles quebrarem lá no espaço.

– Muito bem! É isso mesmo! – demos risada com o raciocínio do Oscarzinho. Além da lógica da resposta, ele só tem 5 anos e já sabe o que é satélite! Mas ainda faltava um:

 – E você, Joaquim, o que você quer ser quando você crescer?

– Eu vou ser médico de astronauta!!! – ele até começou a justificar sua escolha, mas a gente dava tanta risada que ele ria junto – Ah, e também quero ser jogador de basquete e ninja! Vai ser legal, papai, ser tudo isso?

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Pronto. Já era! O tempo passou e eu perdi os meus bebês. Eles já sabem o que querem que podem escolher, já sabem que podem sonhar, planejar e defender suas próprias (ui! é aí que me dói) escolhas. Por que a gente não pode ser mãe de bebês pra sempre?

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Na foto, o médico de astronauta recebendo cosquinhas da mamãe.

Joaquim campeão

2013-08-26 16.46.45

Campeão de jogo da velha na escola (sério, teve campeonato na semana do folclore) e de estilingue (já esse campeonato foi aqui em casa mesmo e cada um ajudou a confeccionar o seu).

Joa levou o ouro!

Ah, e não posso deixar de registrar aqui o quanto esse menino canta, dança e luta judô bem! Esse nosso caçula é demais!

Na mesma sala, sim senhor!

Em comentário recente, a Glaucia me perguntou se os meninos estudam na mesma sala. Não me lembro de ter falado sobre isso, então, adicionei mais uma pergunta ao “perguntas mais frequentes” e vim mostrar como funciona por aqui. Vamos lá.

Sim, os meninos estudam na mesma sala e nunca, nunca mesmo, vi problema nenhum nisso. Pode ser que um dia a gente sinta necessidade de separá-los, mas por enquanto, não, obrigada.

É claro que o fato deles não serem idênticos (são completamente diferentes um do outro!) ajuda muito. Estou sempre de olho, mas… quer saber? Acho meio sem sentido essas regras: não pode vestir igual, não pode estudar na mesma sala, não pode ter as coisas iguais, não pode isso, não pode aquilo. E a explicação para tudo isso é às vezes ainda mais sem nexo: eles precisam desenvolver suas personalidades, saber o que é de cada um, saber quem é quem (? – acreditem, já ouvi isso!), precisam ficar separados para não terem problemas psicológicos depois, blá blá blá.

Sempre ouvi que gêmeos deveriam estudar em salas separadas, mas quanta coisa a gente aprende depois que se torna mãe de múltiplos! Vou tentar resumir meu ponto de vista:

Acho que separar múltiplos na escola pode ser uma boa estratégia (temporária) para remediar algo já presente na relação deles, não para prevenir nada. Explico:

Como a Gláucia disse, a maioria das pessoas acreditam que estudar em salas separadas vai “ajuda-los a cada um achar o seu espaço e ser feliz”. No geral, dizem que isso é necessário para que cada uma das crianças desenvolva sua própria personalidade, que não seja ofuscada ou inibida, ou simplesmente confundida com o irmão. Mas será que isso acontece sempre? E se acontecer, é separando que se resolve?

1)      Essa coisa de “desenvolver sua própria personalidade” deve ser exercitada desde o momento que nascem e em casa. Não vai ser pelo fato de estudarem na mesma sala que terão problemas de insegurança, timidez, ou qualquer outra coisa do tipo. Se isso existe NA RELAÇÃO entre eles, é NA RELAÇÂO entre eles que deve ser trabalhado, e desde cedo, não só no início da vida escolar. Não adianta tirar o tímido de perto do mandão. O correto e eficaz é ensinar o mandão a mandar menos e o tímido a se expressar mais. É no dia a dia, em casa, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, que devemos intervir e modificar o que deve ser modificado. E se a gente deixa essa responsabilidade para a escola, francamente, aí sim estaremos sendo negligentes.

2)      Se a criança sente necessidade de ser de um jeito na escola e de outro jeito em casa (por exemplo, criança tímida em casa e mais solta na escola PORQUE o irmão não está por perto) aí o negócio vai mal. Se ao invés de trabalharmos e modificarmos essa relação simplesmente separarmos os irmãos – o que é mais cômodo pra todo mundo -, cavamos um enorme abismo entre eles.

É simples. Num tempo em que um espirro de mal jeito pode ser considerado bullying… adianta apenas separar o bulinador do bulinado? Sim, em alguns casos isso se torna necessário, mas se fizermos só isso, provavelmente os dois envolvidos repetirão seus padrões em outras relações… acho que o mesmo acontece ao separarmos irmãos, é o mesmo raciocínio.

3)      Nem todas as escolas oferecem duas, três ou quatro turmas da mesma série. Conheço famílias de múltiplos que têm um filho em cada escola. Isso mesmo, em escolas diferentes!!! Dá pra imaginar a logística envolvida nisso? Acho que isso se justifica quando há fortes razões, como dificuldades no desenvolvimento, por exemplo, e mesmo assim devemos avaliar.

Falando nisso, imagino que alguém já esteja se perguntando “e se houver diferença na velocidade de aprendizagem, no desenvolvimento cognitivo e motor entre os irmãos, o que fazer?” Bom, pessoal, também vivemos, de maneira sutil, isso aqui em casa. E também tenho uma opinião pessoal sobre isso. Aguardem os próximos posts.

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Para pensar:

Algumas “regras” que seguimos hoje foram criadas num tempo e espaço completamente diferentes dos nossos: hoje, as crianças ingressam na escola mais cedo; as escolas estão (pelo menos deveriam estar) preparadas para trabalhar as demandas individuais de cada um, num movimento de inclusão; as crianças passam mais tempo com outras crianças do que com adultos; nem todas as boas escolas oferecem três ou quatro turmas da mesma série; e quanto aquela conversa moderna de que a casa deve ser a continuação da escola e vice-versa?

Quando criança, tive colegas gêmeas idênticas, uma estudava na minha sala e a outra em outra turma. Eu ficava confusa e me sentia mal quando as duas apareciam juntas em festinhas, por exemplo. Eu não sabia quem era quem. Se as duas estudassem comigo o tempo todo certamente eu saberia identificar quem era quem, assim como seus pais e outros irmãos sabiam. E elas? Será que elas gostavam de serem confundidas? Gostavam de aparecer juntas? Será que separar é o melhor caminho para se tornarem diferentes?

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É importante ressaltar que eu disse aí em cima é apenas o meu ponto de vista. É óbvio que o que acontece aqui em casa não é igual ao eu acontece aí na sua, cada caso é um caso e deve receber a devida atenção.

Amigo estou aqui…

antonio com shrek

antonio com shrek1

antonio com shrek2

Se gostam tanto que agora o menino não desgruda de uma versão de pelúcia. Ele não larga o burrico! Nem pra dormir. E quando acorda ainda diz que sonhou com ele!… Ah, esse Antônio!

Halloween 2012

Prontos para a farra!

Adoro ser mãe de trigêmeos, mas também adoro ter uma escadinha!

Grande, pequeno e médio

Tenho três filhos: um grande, um médio e um pequeno. Passaram 32 semanas dividindo a minha barriga e tudo o que precisavam para se desenvolverem bem.  Nesse período eu já imaginava quem estava mais folgado, quem poderia estar sofrendo com a falta de espaço, quem estava recebendo ou necessitando de mais nutrientes, etc.  E pensar nisso me deixava bem aflita, principalmente quando sentia a movimentação desse povo todo aqui dentro.

Você pode imaginar o que se passava na minha cabeça quando na ultrassonografia víamos três pés ao lado de uma cabeça, ou quando não dava pra entender nada naquelas imagens. Lembro-me nitidamente do alívio que senti quando pedi e fui prontamente atendida** pela médica que me mostrou e contou comigo os 60 (sessenta!!!) dedos que cresciam dentro de mim*** (por conta desse luxo, até hoje me sinto em dívida com as aquelas mães sentadas na sala de espera).

Mas voltando à questão do tamanho, Antônio nasceu primeiro e, de acordo com o meu médico, estava na posição mais confortável. No minuto seguinte, veio Oscarzinho, o filho médio em tamanho. E, por último, nasceu Joaquim, um quilo e meio de morenice que estava espremido entre as minhas costelas.

O tempo foi passando, os três foram crescendo e hoje Antônio continua grande, mas Joaquim passou a ser o filho médio e Oscarzinho o menor. Sim, na lógica do tamanho, meu filho caçula é o do meio.

Mas, como tamanho não é documento, a ordem de nascimento é o que permanece moldando a maneira deles se relacionarem com o mundo. Antônio desempenha fielmente o papel de filho mais velho. Chego a me emocionar ao ver como ele cuida dos irmãos. Oscar (um Cérebro entre dois Pinks) também veste a camisa de filho do meio muito bem. Já Joaquim, é o caçulinha mais caçula que pode existir.

Aí na foto, além das seis pernocas grossas, dá pra ver como eles são bem diferentes. E, logo abaixo no desenho do Oscarzinho, dá pra ver que assim eles também se enxergam. É incrível como os papéis vão sendo determinados e exercidos pela interação dos pais (familiares e amigos)com as necessidades de cada um.  E é incrível como essa distinção é necessária para que cada um se encontre e se entenda pertencente à família.

E aí, mães de múltiplos, nas casas de vocês também é assim?

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* É exatamente essa movimentação intensa que hoje me faz acreditar que Antônio já nasceu gostando de brincar de luta, Joaquim já nasceu sabendo rebolar e Oscarzinho já nasceu sabendo abrir os braços para organizar a zorra toda. Teriam aprendido lá dentro? Não importa. Ainda assim, a culpa é da mãe! Quem mandou ter corpinho de modelo?!

** Nossas neuroses levam ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de novas técnicas, como os exames de imagens, ou as possibilidades destas novas tecnologias criam e mantém nossas neuroses?

*** Eu me preocupava, sim, com os sessenta dedos, mas quase enlouquecia ao pensar sobre a complexidade de trezentos bilhões de neurônios sendo fabricados (além dos meus que morriam!!!).

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