Três Mosqueteiros

Minha Vida com os Trigêmeos

Arquivo para Triiguais

É assim que se medalha

Os três medalharam mais uma vez no torneio de judô. Mas, mãe é um bicho muito esquisito mesmo, né não?

Os meninos vão lá, dão um show, é ouro pra todo lado e a mãe só tem vontade de chorar quando vê o filho estender a mão para ajudar o oponente a se levantar ou para cumprimentá-lo ao fim da luta, ou quando vê o filho cercado de amigos, dando risadas e abraços, ou ainda quando vê um filho defendendo e cuidando do outro, se preocupando para saber se o outro está bem, se está com sede ou com vontade de ir ao banheiro, ficando de mãos dadas na fila para não se perderem na multidão.

É, mãe é estranha mesmo, mãe não quer ouro, nem prata, nem bronze. Mãe só quer um tapinha nas costas, dado por Ele, mostrando que o caminho é esse, que tem dado certo, que todo o esforço está valendo a pena e que é isso aí.

A cada dia recebo uns tapinhas desses, mas dessa vez foi escancarado! Parabéns, meus meninos, cada vez mais homens.

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A foto foi na hora do hino (dá pra ver todo mundo de frente pra bandeira, né). Tá bom, ainda emociona, mas não como nos momentos citados acima. Ô bicho esquisito!

Descabelados

Lembra do calorão que estava fando em janeiro??? Pois foi nessa época que a tesoura passou por aqui. A foto do Joaquim foi a escolhida para registrar a mudança de visual.

Eita que o post tá atrasado, mas veio!

Macacada reunida

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Esse post poderia até fazer parte da campanha da banana do Daniel Alves, mas mais do que isso, veio para indicar a leitura disso aqui. João Pereira Coutinho está certíssimo quando analisa a “macaquice viral” dizendo que “todos somos macacos” pode ser ofensivo para certos macacos. Leiam!

Ninjas

2013 foi o ano Ninja!

Esses desenhos são do ano passado, mas ainda tem vários outros que mostram como eles só pensavam nisso. Ainda vou fazer um post pra registrar essa fase… assim que eu tiver um tempinho organizo uma exposição por aqui.

Dois tons de cinza


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O cinza do mar ou o cinza do céu, não sei o que foi pior num fim de semana desses que a gente resolveu descer pra praia.

E no meio dessa cinzentada toda, uma vantagem que não tem preço hoje em dia: a praia era só deles!!! E não houve chuva, piscina, camarão ou picolé que tirasse os três da praia.

Semana que vem a gente desce de novo e vê se dá mais sorte (sol ou praia particular).

A lógica da criança

xcaminhando1

xixi

Saímos para caminhar um pouco e fomos andando, andando… E foi lááá no meio do pasto que parei para pensar na lógica existente naquelas cabecinhas (não nas do gado, mas nas dos meninos).

– Mãe, quero fazer xixi.

– Filho, vai num cantinho – pobre mãe, ela não tinha reparado que pasto não tem cantinho – Vai ali, filhinho, atrás daquela árvore, ou então ali pertinho da cerca e faz ali. Não tem problema, aqui você pode fazer em qualquer lugar. Aproveita e molha o matinho, né?!

Antônio olhou em volta, deu um passinhos, tirou o rapaz pra fora, mirou o alvo e se aliviou. Depois, com a voz doce da certeza de ter feito a coisa certa se explicou.

– Eu não queria sujar nada, mãe, então fiz nesse monte de cocô de vaca aqui. Já tinha cocô aqui, então fiz um xixizinho também…

Deu tempo de tirar uma foto do processo de decisão e do ato. O difícil foi segurar o Oscarzinho e o Joaquim correndo para o local e se abaixando para ver de perto os excretos.

– Vamos ver o que acontece! Olha, cara, xixi do Antônio no cocô da vaca… Meu, que legal!… – Falavam um para o outro. – Noooossaaaa, olha o que vai acontecer!

Na certa, achavam que iriam ver alguma reação química tipo o cocô mudar de cor, ou sair fumaça. Combustão? Ou o aparecimento de uma nova vida? Quem sabe um serzinho, tipo um mini kaiju saindo das entranhas fedidas da substância regada por um líquido quentinho?

Esses são os nossos meninos, curiosos, inteligentes, pragmáticos e com uma imaginação infinita. Enquanto eles aprendem e acreditam que uma coisa + outra coisa = uma terceira coisa, aprendo que a imaginação de um + a imaginação do outro + a imaginação do outro = um mundo de possibilidades. Eles (os meninos, não o cocô e xixi) são imbatíveis na tarefa de criar e entender universos (im)possíveis.

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Minutos depois:

– Mãe, quero fazer xixi!

– Filho, faz em qualq…

Joaquim interrompe, arregalando os olhos de tanta excitação.

– Oscar, Oscar, faz ali naquele cupinzeiro! Ali ó! – e apontava para o novo alvo – Vem gente, vamos ver o xixi do Oscar no cupinzeiro! Rápido! Vem gente!

Tadinhos dos cupins…

Na mesma sala, sim senhor!

Em comentário recente, a Glaucia me perguntou se os meninos estudam na mesma sala. Não me lembro de ter falado sobre isso, então, adicionei mais uma pergunta ao “perguntas mais frequentes” e vim mostrar como funciona por aqui. Vamos lá.

Sim, os meninos estudam na mesma sala e nunca, nunca mesmo, vi problema nenhum nisso. Pode ser que um dia a gente sinta necessidade de separá-los, mas por enquanto, não, obrigada.

É claro que o fato deles não serem idênticos (são completamente diferentes um do outro!) ajuda muito. Estou sempre de olho, mas… quer saber? Acho meio sem sentido essas regras: não pode vestir igual, não pode estudar na mesma sala, não pode ter as coisas iguais, não pode isso, não pode aquilo. E a explicação para tudo isso é às vezes ainda mais sem nexo: eles precisam desenvolver suas personalidades, saber o que é de cada um, saber quem é quem (? – acreditem, já ouvi isso!), precisam ficar separados para não terem problemas psicológicos depois, blá blá blá.

Sempre ouvi que gêmeos deveriam estudar em salas separadas, mas quanta coisa a gente aprende depois que se torna mãe de múltiplos! Vou tentar resumir meu ponto de vista:

Acho que separar múltiplos na escola pode ser uma boa estratégia (temporária) para remediar algo já presente na relação deles, não para prevenir nada. Explico:

Como a Gláucia disse, a maioria das pessoas acreditam que estudar em salas separadas vai “ajuda-los a cada um achar o seu espaço e ser feliz”. No geral, dizem que isso é necessário para que cada uma das crianças desenvolva sua própria personalidade, que não seja ofuscada ou inibida, ou simplesmente confundida com o irmão. Mas será que isso acontece sempre? E se acontecer, é separando que se resolve?

1)      Essa coisa de “desenvolver sua própria personalidade” deve ser exercitada desde o momento que nascem e em casa. Não vai ser pelo fato de estudarem na mesma sala que terão problemas de insegurança, timidez, ou qualquer outra coisa do tipo. Se isso existe NA RELAÇÃO entre eles, é NA RELAÇÂO entre eles que deve ser trabalhado, e desde cedo, não só no início da vida escolar. Não adianta tirar o tímido de perto do mandão. O correto e eficaz é ensinar o mandão a mandar menos e o tímido a se expressar mais. É no dia a dia, em casa, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, que devemos intervir e modificar o que deve ser modificado. E se a gente deixa essa responsabilidade para a escola, francamente, aí sim estaremos sendo negligentes.

2)      Se a criança sente necessidade de ser de um jeito na escola e de outro jeito em casa (por exemplo, criança tímida em casa e mais solta na escola PORQUE o irmão não está por perto) aí o negócio vai mal. Se ao invés de trabalharmos e modificarmos essa relação simplesmente separarmos os irmãos – o que é mais cômodo pra todo mundo -, cavamos um enorme abismo entre eles.

É simples. Num tempo em que um espirro de mal jeito pode ser considerado bullying… adianta apenas separar o bulinador do bulinado? Sim, em alguns casos isso se torna necessário, mas se fizermos só isso, provavelmente os dois envolvidos repetirão seus padrões em outras relações… acho que o mesmo acontece ao separarmos irmãos, é o mesmo raciocínio.

3)      Nem todas as escolas oferecem duas, três ou quatro turmas da mesma série. Conheço famílias de múltiplos que têm um filho em cada escola. Isso mesmo, em escolas diferentes!!! Dá pra imaginar a logística envolvida nisso? Acho que isso se justifica quando há fortes razões, como dificuldades no desenvolvimento, por exemplo, e mesmo assim devemos avaliar.

Falando nisso, imagino que alguém já esteja se perguntando “e se houver diferença na velocidade de aprendizagem, no desenvolvimento cognitivo e motor entre os irmãos, o que fazer?” Bom, pessoal, também vivemos, de maneira sutil, isso aqui em casa. E também tenho uma opinião pessoal sobre isso. Aguardem os próximos posts.

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Para pensar:

Algumas “regras” que seguimos hoje foram criadas num tempo e espaço completamente diferentes dos nossos: hoje, as crianças ingressam na escola mais cedo; as escolas estão (pelo menos deveriam estar) preparadas para trabalhar as demandas individuais de cada um, num movimento de inclusão; as crianças passam mais tempo com outras crianças do que com adultos; nem todas as boas escolas oferecem três ou quatro turmas da mesma série; e quanto aquela conversa moderna de que a casa deve ser a continuação da escola e vice-versa?

Quando criança, tive colegas gêmeas idênticas, uma estudava na minha sala e a outra em outra turma. Eu ficava confusa e me sentia mal quando as duas apareciam juntas em festinhas, por exemplo. Eu não sabia quem era quem. Se as duas estudassem comigo o tempo todo certamente eu saberia identificar quem era quem, assim como seus pais e outros irmãos sabiam. E elas? Será que elas gostavam de serem confundidas? Gostavam de aparecer juntas? Será que separar é o melhor caminho para se tornarem diferentes?

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É importante ressaltar que eu disse aí em cima é apenas o meu ponto de vista. É óbvio que o que acontece aqui em casa não é igual ao eu acontece aí na sua, cada caso é um caso e deve receber a devida atenção.

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